O Identity Fraud Report 2025-2026, da Sumsub analisou milhões de verificações de identidade e identificou que a falsificação de documentos em escala assistida por inteligência artificial é um fenômeno em ascensão. Segundo o levantamento, 2% de todos os documentos falsos detectados em 2025 foram gerados com ferramentas como ChatGPT, Grok e Gemini — um índice que partiu de uma base próxima de zero no início do ano e já ultrapassava essa marca poucos meses depois. O relatório também aponta a fraude de identidade sintética, que combina dados reais e fabricados, como a maior categoria de fraude entre aplicantes hoje, usada sobretudo para abrir contas e acessar crédito — e cita, de forma explícita, que documentos e vídeos gerados por IA tendem a tornar essas identidades cada vez mais convincentes.
No Brasil, o mesmo relatório identificou um crescimento de 126% nas fraudes com deepfakes em 2025, e uma especialista consultada pela Sumsub aponta a fraude de identidade sintética como preocupação crescente justamente em operações de crédito digital e carteiras eletrônicas — produtos que dependem, no fim das contas, de uma contratação formalizada à distância.
É nesse ponto que o cenário de fraude documental encontra a formalização de contratos. Boa parte das empresas do setor financeiro já resolveu assinar documentos digitalmente; plataformas de assinatura eletrônica se consolidaram como ferramenta padrão do mercado já que são uma solução madura e adequada para muitas contratações. O que o crescimento de documentos e identidades forjados por IA coloca em pauta é uma pergunta adicional, que vai além de assinar o documento certo: em operações de crédito, seguro e outros produtos financeiros, também é preciso provar que o documento apresentado e a pessoa que o assina são genuínos. Este conteúdo explica onde a inteligência artificial entra nessa camada adicional e por que ela vem ganhando espaço em contratações digitais.
O risco que passa despercebido na contratação digital
A validade jurídica de documentos eletrônicos no Brasil está definida desde 2001, pela Medida Provisória 2.200-2, complementada em 2020 pela Lei 14.063, que reconhece três níveis de assinatura eletrônica: simples, avançada e qualificada. Uma assinatura eletrônica simples, sem certificado ICP-Brasil, já tem presunção de validade legal, desde que existam elementos técnicos capazes de comprovar autoria e integridade do documento, o que o artigo 10, parágrafo 2º, da própria MP chama de “outro meio de comprovação da autoria e integridade de documentos em forma eletrônica”.
Essa distinção — comprovar autoria, além de garantir a integridade do documento — é justamente o que a própria lei deixa em aberto como uma questão técnica a resolver caso a caso. Ferramentas de assinatura eletrônica cumprem bem a parte de integridade: garantem que o arquivo não foi alterado depois de assinado, aplicam carimbo de tempo, registram IP e data da ação. A comprovação de autoria, por sua vez, pode variar bastante conforme o mecanismo escolhido para cada nível de assinatura, e é aqui que operações de maior risco, como crédito e seguro, passam a exigir uma camada além do clique confirmado por e-mail ou SMS.
Para contratos de baixo risco, como um termo de uso ou uma ordem de serviço simples, essa lacuna raramente vira problema. Já para operações de crédito, seguro e produtos financeiros, o risco é concreto. Um levantamento da Serasa Experian identificou 1.495.696 tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade só no primeiro trimestre de 2026, alta de 36,6% em relação ao mesmo período do ano anterior — e seis em cada dez dessas ocorrências miraram exatamente o setor financeiro: bancos, emissores de cartão, meios de pagamento e empresas de crédito. Nesse tipo de operação o prejuízo se concretiza através contratos formalmente “assinados”, mas contestados depois porque o titular nunca autorizou a operação.
Biometria e IA: a camada que a assinatura sozinha não cobre
O próprio poder público já reconheceu esse limite na prática. Em maio de 2026, entrou em vigor a Lei nº 15.327/2026, que passou a exigir “anuência biométrica” para a contratação de empréstimo consignado do INSS: o beneficiário recebe a proposta no aplicativo Meu INSS com status “pendente de confirmação” e tem cinco dias corridos para validar a operação por reconhecimento facial — sem isso, o contrato é cancelado automaticamente. A mesma lei também proibiu a contratação por telefone ou por procuração de terceiros, justamente os canais que fraudadores mais exploravam para formalizar empréstimos em nome de beneficiários que sequer sabiam da existência do contrato.
Não é uma exigência burocrática a mais: é o reconhecimento de que uma assinatura, por si só, não impede que um terceiro contrate em nome de outra pessoa. Biometria facial associada a liveness detection (a verificação de que existe uma pessoa real diante da câmera, e não uma foto, um vídeo reproduzido ou um deepfake) é, hoje, um dos poucos mecanismos capazes de confirmar presença real e identidade genuína no momento exato da contratação. Isso reduz o espaço para fraude de identidade em operações como consignado, financiamento estudantil e formalização de seguros, e ao mesmo tempo gera evidência mais forte diante de disputas contratuais e fiscalização regulatória.
Para empresas que competem em mercados de alto volume, essa camada deixou de ser apenas prevenção a golpes para se tornar vantagem competitiva mensurável em taxa de disputa, chargeback e exposição jurídica, especialmente à medida que outros produtos financeiros regulados seguem o mesmo caminho já adotado pelo consignado.
Biometria Facial e Vídeo: como proteger sua operação, seus clientes e sua empresa
Como a IA garante segurança do início ao fim da formalização digital
A segurança de uma formalização digital bem construída não depende de uma única camada, mas de uma sequência de verificações que a inteligência artificial pode executar em tempo real, sem interromper a experiência do cliente.
Verificação de identidade
Algoritmos de reconhecimento facial comparam, em tempo real, o rosto da pessoa com o documento apresentado, enquanto a checagem de liveness confirma que há uma pessoa real na interação, barrando fotos, vídeos reproduzidos e tentativas de deepfake logo na porta de entrada do processo.
Detecção de fraudes e anomalias
Modelos de machine learning analisam padrões de comportamento, inconsistências no documento e sinais de manipulação digital que passariam despercebidos a olho nu — uma fonte que não bate com o órgão emissor, um espaçamento de texto alterado, uma resposta incoerente durante a interação —, calculando um indicador de risco para cada operação em vez de aprovar ou reprovar de forma binária.
Registro de consentimento
Cada etapa da formalização, da apresentação dos termos à confirmação do aceite, é registrada de forma estruturada, criando um histórico verificável de que o cliente entendeu e concordou com o que estava contratando, e não apenas clicou em um botão sem ler.
Validade jurídica
A combinação de identidade verificada, consentimento registrado e integridade do conteúdo é o que sustenta a presunção de validade prevista na legislação brasileira, transformando uma interação em prova, e não apenas em registro de que “algo foi assinado”.
Auditoria e conformidade
Toda a trilha da operação (identidade, consentimento, indicadores de risco, gravação) fica disponível para consulta posterior, permitindo que a empresa responda a uma contestação de cliente, a uma auditoria interna ou a um pedido de órgão regulador sem precisar reconstruir o processo manualmente meses depois. Em uma disputa judicial sobre um empréstimo consignado, por exemplo, essa trilha é o que diferencia uma defesa embasada em evidência de uma defesa baseada em “o sistema registrou o clique”.
Como a Nuvidio protegem sua operação com IA
É essa sequência completa de análises e validações que a Nuvidio reúne em uma única interação, indo além da etapa de assinatura isolada. Em vez de apenas coletar um clique, a Nuvidio transforma cada contratação em uma interação por vídeo com biometria facial incall, liveness detection e análise de risco por machine learning rodando em paralelo, seja com atendimento humano, no VideoCall, para operações que exigem julgamento assistido, seja em fluxos totalmente autônomos e escaláveis, no VideoAgreement, para contratações em volume.
VideoCall é a solução para quando o atendimento humano continua sendo parte necessária do processo, como no consignado, quando o beneficiário precisa de orientação, em seguros com declarações mais complexas, ou em casos de maior valor que pedem julgamento antes da aprovação. Um operador conduz a chamada normalmente, enquanto a IA trabalha em paralelo: verifica identidade por biometria facial incall ao longo de toda a chamada, não apenas na entrada, e analisa comportamento, sinalizando inconsistências ao operador sem interromper o atendimento. Cada chamada termina com gravação criptografada, trilha de auditoria completa e indicadores de risco documentados.
VideoAgreement resolve o problema quando o volume demanda um atendimento automatizado, como em consignado em escala, portabilidade de crédito e fintechs com alto volume de abertura de contas. O cliente conduz o próprio fluxo pelo smartphone, seguindo um roteiro configurado pela empresa, enquanto biometria facial, liveness detection e análise comportamental por IA confirmam identidade e risco em tempo real, sem operador humano. Ao final de cada interação, o sistema gera um Fraud Score de 0 a 1.000 — quanto mais próximo de 1.000, maior a confiança de que a gravação é legítima —, que a empresa usa conforme suas próprias políticas: aprovação automática, revisão humana ou encaminhamento a atendimento individual.
Em ambos os casos, o resultado final é gravação criptografada com validade jurídica, biometria registrada, indicadores de risco e trilha de auditoria completa: os elementos que a legislação brasileira já passou a exigir para operações de crédito de maior risco, como o consignado, e que tendem a se espalhar para outros produtos financeiros à medida que a fraude de identidade continua crescendo.
Conclusão
Assinar um contrato e ter prova de que a pessoa certa o assinou são camadas diferentes de segurança — e cada operação exige a combinação certa entre elas. Para algumas contratações, a assinatura eletrônica já resolve bem essa equação. Para crédito, seguro e outros contratos financeiros, onde a fraude de identidade segue crescendo, a camada de verificação biométrica e análise de risco por IA passa a fazer parte dessa conta. Se esse é o cenário da sua operação, vale entender como VideoCall e VideoAgreement se aplicam ao volume e ao perfil de risco da sua contratação. Fale com nossa equipe.