O crédito digital brasileiro fechou 2025 com R$ 53,8 bilhões concedidos — alta de 51% em relação ao ano anterior, segundo a 6ª edição da Pesquisa Fintechs de Crédito Digital, realizada pela PwC Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD). A base de clientes pessoa física atendida por essas empresas chegou a 86,1 milhões só no Brasil, crescimento de 40% em um único ano.
É um mercado aquecido, competitivo e com escala real. Também é um mercado onde cada novo cliente é uma pergunta em aberto: essa pessoa é quem diz ser?
Para fintechs, essa pergunta tem peso duplo. De um lado, a operação depende de onboarding rápido — atrito demais no cadastro derruba conversão e entrega o cliente ao concorrente. De outro, aprovar cadastros sem verificação adequada significa absorver fraude, inadimplência de terceiros e exposição regulatória. O KYC (Know Your Customer) é o processo que resolve essa equação, e a forma como ele é implementado determina se a fintech cresce com segurança ou apenas acumula passivo.
Fraude cresce no mesmo ritmo do crédito digital
O crescimento do setor não passou despercebido pelos fraudadores. No primeiro trimestre de 2026, a Serasa Experian registrou 1.495.696 tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade no Brasil — alta de 36,6% sobre o mesmo período do ano anterior, o equivalente a uma tentativa a cada cinco segundos. Seis em cada dez dessas ocorrências miraram o setor financeiro.
O perfil do ataque também mudou. As fraudes com deepfakes cresceram 126% no Brasil em 2025, concentrando cerca de 39% dos casos da América Latina, segundo levantamento da Sumsub. Dados da Polícia Federal em abril de 2026 apontam que 42,5% das fraudes financeiras no país já envolvem alguma ferramenta de inteligência artificial, e que o uso de deepfakes cresceu 830% entre 2024 e 2025. Do lado da preparação, o cenário é inverso: a Associação de Certificados de Examinadores de Fraude (ACFE) estima que apenas 7% das empresas estão prontas para lidar com esse tipo de ameaça.
Nos sistemas das instituições, o efeito aparece nos números do regulador. Em apresentação feita em fevereiro de 2026, o chefe do Departamento de Gestão Estratégica e Supervisão Especializada do Banco Central, informou que os ataques direcionados à infraestrutura tecnológica de instituições financeiras saltaram de nove casos comunicados em 2024 para 39 em 2025 — mais de quatro vezes em um ano.
Para uma fintech, isso significa que o adversário do onboarding não é mais o fraudador amador com um documento escaneado. É uma operação que sabe produzir documento verossímil, rosto sintético e voz clonada, e que testa esses artefatos justamente na porta de entrada.
Por que um processo manual de verificação não sustenta a operação
Muitas fintechs começam com verificação manual: um analista confere a foto do documento, compara com a selfie enviada, checa o CPF em uma base e aprova. Funciona quando o volume é baixo. Deixa de funcionar por três motivos simultâneos, e todos eles aparecem exatamente quando a operação começa a crescer.
O olho humano perdeu a disputa técnica
Um documento adulterado por IA generativa não tem borda mal recortada nem fonte desalinhada. Como aponta a reportagem já mencionada sobre fraudes com deepfake, boa parte dos controles internos ainda parte do pressuposto de que um documento bem formatado, com assinatura aparente, é confiável e essa aparência ficou barata de fabricar. Pedir que um analista detecte manipulação digital sem ferramenta de apoio é definir uma tarefa que a tecnologia disponível ao fraudador já venceu.
A variação entre analistas vira lacuna de processo
Cada pessoa aplica um critério ligeiramente diferente, presta mais atenção em um turno do que em outro e afrouxa o rigor quando a fila cresce. Em um processo com centenas de cadastros por dia, essa variação não é um detalhe operacional: é a diferença entre um fluxo auditável e um conjunto de decisões que ninguém consegue explicar depois.
O custo cresce em linha reta com o volume
Dobrar o número de cadastros exige dobrar a equipe de análise, o que corrói justamente a margem que torna o modelo digital viável. A alternativa que muitas operações adotam sob pressão (reduzir o rigor para não travar o funil) apenas transfere o custo para o futuro, na forma de fraude aprovada e contrato contestado.
Há ainda um risco menos visível: processos manuais costumam deixar rastro pobre. A verificação aconteceu, mas o registro do que foi checado, com qual critério e com base em qual evidência, é fragmentado ou inexistente. Quando o cliente contesta a operação ou o regulador pede explicação, a fintech precisa provar o que fez e não tem com o quê.
KYC não é problema só de banco grande
Existe uma leitura comum entre fintechs em estágio inicial: KYC robusto é coisa de instituição consolidada, e a startup resolve isso “quando escalar”. O regulador discorda.
Em março de 2026, Gerson Romantini, chefe de divisão do Departamento de Supervisão de Conduta do Banco Central, afirmou que a autarquia está conduzindo inspeções em todas as Instituições de pagamento do país — um universo de mais de 200 empresas — com foco no cumprimento das normas de prevenção à lavagem de dinheiro. Segundo ele, fintechs, tanto IPs quanto Sociedades de Crédito Direto (SCDs), representam risco aumentado em termos de PLD, e por isso o esforço de inspeção é concentrado nelas.
Ou seja: a fiscalização não está esperando a fintech ficar grande. Está olhando para a categoria inteira, agora.
Além disso, o próprio ciclo regulatório encurtou os prazos. As resoluções publicadas pelo Banco Central em 2025 consolidaram um ambiente em que autorização, capital mínimo e estrutura de governança deixaram de ser etapas futuras do roadmap e viraram condição de operação. Fintechs pequenas sentem esse aperto de forma desproporcional, porque precisam montar a mesma estrutura de controle com uma fração dos recursos.
A implicação prática é direta: adiar a estruturação do KYC não economiza recurso, apenas transfere o custo para um momento em que ele será maior, com base de clientes já formada, cadastros antigos a revisar e, possivelmente, um processo administrativo em curso.
O que sua fintech ganha com um KYC bem estruturado
Tratar KYC apenas como obrigação regulatória é o que produz o “compliance de papel”: um processo que existe para ser mostrado, não para funcionar. Bem estruturado, o KYC entrega quatro resultados mensuráveis.
KYC como diferencial competitivo
Em um mercado que já atende quase 95 milhões de clientes pessoa física, a diferenciação por produto ficou difícil: taxas, prazos e interfaces convergiram entre os principais players. A confiança, não. Uma fintech que consegue aprovar um cliente legítimo em minutos, sem pedir três vezes o mesmo documento, tem vantagem direta sobre a concorrente cujo fluxo trava.
Isso vale também na direção institucional. Parceiros bancários, provedores de BaaS e investidores avaliam a maturidade de controle antes de fechar contrato. Um KYC documentado e auditável encurta a due diligence, destrava parcerias e reduz o custo de comprovar solidez a cada nova negociação.
Proteção da empresa e dos clientes
Fraude de identidade é o vetor de entrada da maior parte das perdas em operações de crédito digital. Um cadastro aprovado com identidade falsa não gera apenas o prejuízo do valor concedido, gera custo de cobrança sobre alguém que nunca contratou, disputa judicial, e, quando a vítima é um cliente real que teve os dados usados por terceiros, dano reputacional que nenhuma campanha recupera.
Os especialistas em fraudes com IA concordam em um ponto: a resposta não é uma ferramenta isolada, mas uma arquitetura de segurança em camadas, combinando autenticação multifator, biometria com detecção de prova de vida, validação cruzada em bases oficiais, monitoramento contínuo por IA e auditoria permanente. Camada única falha; camadas sobrepostas encarecem o ataque a ponto de torná-lo inviável.
Aumento da conversão e da satisfação
Existe um pressuposto comum de que verificação e conversão são grandezas opostas e que mais segurança traz mais atrito, menos cadastro concluído. Os dados de operações reais mostram o contrário quando a verificação é bem desenhada.
O Banco Mercantil, instituição com mais de 80 anos e mais de 10 milhões de clientes posicionada para o público 50+, adotou formalização por vídeo com biometria integrada em suas jornadas de contratação. Segundo o Diretor Executivo de Atendimento e Performance do Banco, a taxa de quebra nas propostas geradas por esse canal é de apenas 6%, o CSAT fica na casa de 85 e o indicador de qualidade se aproxima de 100%. Mais relevante para quem opera crédito: o nível de acionamento do cliente nos primeiros 30 dias após a contratação é cerca de três vezes menor do que no atendimento por telefone.
A leitura sobre o porquê é a parte que interessa a qualquer fintech: o cliente sai da jornada entendendo o que contratou. Menos acionamento pós-venda, menos contestação, menos churn. O tempo médio de atendimento, segundo ele, também é menor do que no telefone, porque a interação por vídeo é mais assertiva.
Verificação bem feita, portanto, não é imposto sobre a conversão. É o que produz um cliente que entende o contrato e não volta reclamando dele.
Conformidade jurídica e regulatória
Fintechs brasileiras operam sob um conjunto normativo denso e sobreposto. A Circular BACEN nº 3.978/2020 estabelece os procedimentos de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, incluindo identificação e qualificação de clientes, classificação de risco e monitoramento contínuo, exatamente os três pilares do processo de KYC.
A Resolução CMN nº 4.753/2019 define critérios para abertura de contas e formalização de operações por canais digitais, incluindo validação de identidade por biometria acima de determinados valores. E a LGPD acrescenta que dados biométricos são dados sensíveis, com exigência de base legal explícita, armazenamento protegido e política de retenção definida.
O ponto que costuma ser subestimado: cumprir a norma e conseguir provar que cumpriu são coisas diferentes. Em um cenário de supervisão contínua, a exigência prática não é apenas ter feito a verificação, mas é conseguir demonstrar, de forma rastreável, como cada decisão de aprovação foi tomada. KYC sem trilha de auditoria é conformidade que não sobrevive à primeira fiscalização.
Como as soluções da Nuvidio protegem operações de fintech
A recomendação de arquitetura em camadas resolve o problema técnico, mas cria outro: quanto mais camadas, mais fornecedores, mais integrações e mais pontos onde a evidência se fragmenta. Uma ferramenta de biometria aqui, uma plataforma de assinatura ali, um sistema de gravação em outro lugar e, quando o contrato é contestado, a fintech precisa reconstruir a operação juntando peças de três sistemas diferentes.
A Nuvidio resolve isso reunindo as camadas em uma única interação por vídeo, que produz um registro só. A escolha entre as duas soluções depende de um fator simples: o processo precisa de um humano conduzindo, ou pode ser conduzido pelo próprio cliente?
VideoAgreement é a resposta para volume. O cliente acessa o fluxo pelo navegador do próprio smartphone, sem instalar nada, e segue um roteiro visual e auditivo configurado pela fintech. Durante a interação, biometria facial e liveness detection confirmam que há uma pessoa real diante da câmera (não uma foto, um vídeo reproduzido ou um deepfake) enquanto a análise comportamental por IA monitora inconsistências e indicadores de coerção. Ao final, o sistema gera um Fraud Score de 0 a 1.000: quanto mais próximo de 1.000, maior a confiança de que a gravação é legítima. O score não decide nada sozinho; é um indicador que a fintech aplica conforme sua própria política de risco: aprovação automática acima de determinado limite, revisão humana abaixo dele, ou encaminhamento para atendimento individual nos casos limítrofes.
VideoCall cobre as situações em que o atendimento humano ainda é necessário: operações de maior valor, clientes com histórico de inconsistência, produtos que exigem explicação. Um operador conduz a chamada enquanto a IA trabalha em paralelo, verificando identidade por biometria facial incall ao longo de toda a interação — não apenas na entrada — e sinalizando alertas sem interromper o atendimento.
Em ambos os casos, o resultado é o mesmo conjunto de evidências: gravação criptografada com validade jurídica, biometria registrada, indicadores de risco documentados e trilha de auditoria completa, com quem participou, quando, por quanto tempo e quais etapas foram concluídas. A integração acontece por API, conectando-se aos sistemas que a fintech já usa sem substituir a infraestrutura existente.
É a diferença entre um KYC que registra que a verificação aconteceu e um KYC que prova como ela aconteceu.
Conclusão
O crédito digital brasileiro cresceu 51% em um ano e atraiu, junto com o volume, uma indústria de fraude que hoje opera com identidade sintética, documento gerado por IA e deepfake. O Banco Central respondeu inspecionando todas as instituições de pagamento do país. A conta é simples: a régua subiu dos dois lados ao mesmo tempo.
Para fintechs, isso desloca o KYC do orçamento de compliance para o centro da estratégia de crescimento. Não porque a norma exige, mas porque a capacidade de verificar identidade com rigor, sem destruir a conversão, e de provar depois o que foi verificado, é o que separa a operação que escala da que apenas acumula exposição.
Se a sua operação está nesse ponto de decisão, vale entender como o VideoAgreement e o VideoCall se aplicam ao volume, ao ticket e ao perfil de risco da sua jornada de onboarding. Fale com nossa equipe.