Golpes bancários mais comuns em 2026: o que revela uma pesquisa inédita

Golpes bancários mais comuns em 2026: o que revela uma pesquisa inédita

Elias Sousa

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Oito em cada dez brasileiros bancarizados já tiveram contato com uma fraude ou um golpe financeiro. Um em cada quatro foi vítima pessoalmente. Outros 23% sofreram uma tentativa sem perder dinheiro, e 32% têm um familiar ou amigo que foi vítima.

Os números são do Panorama Nuvidio: Fraudes, golpes e segurança no sistema financeiro, pesquisa realizada com 1.022 brasileiros com conta bancária ativa ou que usam serviços financeiros digitais, ouvidos pelo Opinion Box entre 9 e 15 de junho de 2026, em todas as regiões do país.

A lista a seguir é a ordem em que os próprios entrevistados relataram ter sofrido ou presenciado cada tipo de golpe.

Para dimensionar o cenário: só no primeiro trimestre de 2026, a Serasa Experian registrou uma tentativa de fraude de identidade a cada cinco segundos no Brasil, sendo seis em cada dez direcionadas a instituições financeiras.

Os golpes que os brasileiros mais relatam ter sofrido

Os percentuais abaixo têm como base quem teve alguma experiência com fraudes, como vítima, como alvo de tentativa ou por proximidade com um caso. A pergunta permitia múltipla escolha.

1. Ligação falsa de atendente ou gerente do banco (36%)

O golpe mais relatado da pesquisa. Alguém liga dizendo ser do banco, informa que há uma movimentação suspeita e orienta o cliente a tomar medidas de segurança que, na prática, entregam o acesso ou o dinheiro ao criminoso.

Entre os entrevistados com 50 anos ou mais, a frequência sobe para 40%, contra 33% entre os mais jovens.

2. Clonagem ou uso indevido de cartão (34%)

Compras ou saques feitos com os dados do cartão sem o conhecimento do titular. Acontece por captura em terminais adulterados, por vazamento de dados ou por troca física do cartão durante um atendimento presencial.

3. Golpe por WhatsApp se passando pelo banco ou por um conhecido (32%)

Mensagem de um número desconhecido, com ou sem foto de perfil familiar, pedindo dinheiro em caráter de urgência ou se apresentando como canal oficial da instituição.

Entre quem tem consórcio, esse golpe aparece em 51% dos relatos — o dobro da média geral.

4. Compra online fraudulenta usando meus dados (27%)

Compras feitas em nome do cliente, em geral depois de um vazamento de dados ou de um cadastro em site falso.

O sinal que denuncia: confirmações de pedido ou cobranças de lojas em que você nunca comprou.

5. Boleto falso (22%)

Boleto adulterado ou emitido por terceiros, com aparência legítima e código de barras alterado. Chega por e-mail, WhatsApp ou substitui um boleto verdadeiro já emitido.

Confira sempre se o beneficiário exibido no aplicativo, antes de confirmar o pagamento, é a empresa que você esperava pagar.

6. Link ou site falso do banco (20%)

Páginas que reproduzem a identidade visual da instituição para capturar senhas e códigos. Chegam por SMS, e-mail ou anúncio em buscador.

O endereço do site, que costuma trazer pequenas alterações em relação ao oficial.

Na sequência aparecem a contratação de serviço adicional sem autorização (11%), transferência ou Pix sem autorização (10%), empréstimo contratado em nome do cliente (9%), invasão de conta ou do aplicativo (8%), roubo de senha ou de dados bancários (6%) e golpes relacionados a investimentos (6%).

Olhando a lista inteira, há um padrão difícil de ignorar: os golpes mais frequentes não exploram falhas técnicas dos sistemas bancários. Exploram a confiança das pessoas em canais de comunicação que parecem legítimos.

Pesquisa inédita 2026

Panorama Nuvidio: fraudes, golpes e segurança no sistema financeiro

Entenda o que o cliente espera do seu banco

O que mudou em 2026

A novidade do ano não é um golpe novo. É o aumento da qualidade da imitação.

Clonagem de voz por inteligência artificial é hoje a ameaça que mais mobiliza os brasileiros: 58% se dizem muito ou extremamente vulneráveis a ela. Deepfakes geram o mesmo nível de preocupação em 53%, e o uso indevido da identidade para assinar contratos não autorizados, em 51%.

Essa preocupação tem base. Uma ligação falsa com a voz de um familiar, ou uma chamada de vídeo com um rosto recriado, elimina justamente os sinais que as pessoas aprenderam a usar para desconfiar, como o sotaque estranho, o português mal escrito, a foto de perfil que não bate.

Vale dizer que a mesma tecnologia atua dos dois lados. Os sistemas que detectam voz sintética, imagem manipulada e comportamento incompatível com o do titular também são baseados em inteligência artificial. O que mudou não foi o surgimento de uma ameaça invencível, e sim a velocidade com que os dois lados evoluem.

Como se proteger

  • Desconfie de urgência: Prazo curto, ameaça de bloqueio e risco de perder um benefício são a estrutura comum de quase todos os golpes da lista.
  • Confirme sempre pelo canal oficial: Encerre o contato e ligue para o número do verso do cartão ou use o aplicativo. Nunca use o número que veio na mensagem.
  • Não devolva valor recebido por engano sem acionar o banco: A devolução direta é uma forma comum de transferir dinheiro de origem ilícita usando a sua conta.
  • Confira o beneficiário antes de confirmar qualquer pagamento: Vale para Pix, boleto e transferência.
  • Desconfie de qualquer contato que peça para você provar quem é fora dos canais oficiais do banco: Verificação de identidade legítima acontece dentro do aplicativo ou de um canal que a instituição consegue confirmar quando você liga para perguntar.

O que esses números dizem sobre a confiança no sistema financeiro

Há um elemento comum entre quase todos os golpes financeiros da lista, e ele não é técnico. A ligação falsa, o WhatsApp, o site clonado e o boleto adulterado funcionam porque o cliente não tem como confirmar, naquele momento, com quem está falando.

Do outro lado do balcão, o problema é simétrico. A instituição precisa provar que falou com o cliente certo e, quando a interação aconteceu por telefone ou por uma sequência de telas, essa prova é frágil.

Isso coloca em xeque uma premissa comum no setor, a de que segurança é atrito indesejado. Os dados do Panorama Nuvidio apontam o contrário: 61% dos entrevistados valorizam as etapas de segurança do banco mesmo quando elas tornam o processo mais lento. Em transferências de alto valor, 85% preferem segurança máxima à velocidade.

E, quando perguntados sobre um canal oficial de videochamada com o banco, 54% afirmam que a existência desse canal aumentaria sua confiança na instituição.

O cliente não está pedindo menos verificação. Está pedindo uma verificação em que ele consiga confiar.

Conclusão

A lista deste conteúdo mostra o que os brasileiros relatam ter vivido, mas a pesquisa completa vai além da frequência de cada golpe.

O Panorama Nuvidio traz os recortes por faixa etária, sexo, renda e tipo de produto contratado, a avaliação que os clientes fazem do preparo dos bancos, o que eles esperam encontrar em cada tipo de operação e a análise de profissionais do mercado financeiro sobre o que os dados significam para o setor. Baixe o relatório completo.

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